Lucas Kal: O Volante Brasileiro que Conquista Espaços no Futebol Nacional

Lucas Kal: O Volante Brasileiro que Conquista Espaços no Futebol Nacional

Por Equipe Editorial – 29 de novembro de 2025

Lucas Kal Schenfeld Prigioli, mais conhecido simplesmente como Lucas Kal, é um daqueles nomes que ecoam nos gramados brasileiros com uma mistura de persistência e talento discreto. Nascido em 16 de março de 1996, em Campinas, interior de São Paulo, esse volante de 1,86m de altura carrega nas veias o sangue do futebol brasileiro, temperado com raízes italianas que lhe garantem dupla cidadania. Aos 29 anos, ele se destaca como um meio-campista defensivo versátil, capaz de atuar também como zagueiro central, sempre com o pé direito como arma principal. Sua trajetória, cheia de empréstimos e retornos, reflete a essência do futebol do país: garra para superar obstáculos e visão para se reinventar. Neste artigo, mergulhamos na vida e na carreira desse atleta que, mesmo sem holofotes estridentes, continua a moldar seu legado no Sport Club do Recife.

Início de Jornada: Das Raízes em Campinas ao Sonho Tricolor

Campinas, berço de craques como Falcão e Raí, foi o palco inicial dos primeiros chutes de Lucas Kal. Filho de uma família modesta, ele cresceu entre as peladas de rua e os treinos informais que moldam tantos talentos brasileiros. Aos 14 anos, em 2011, sua vida mudou quando foi aprovado nas categorias de base do São Paulo Futebol Clube. O Morumbi, com sua aura de títulos mundiais, tornou-se sua casa. Ali, Kal aprendeu os fundamentos do jogo: marcação firme, distribuição de bola precisa e leitura tática afiada.

Nos anos iniciais da base, ele se destacou pela estatura imponente e pela capacidade de recuperar bolas em momentos cruciais. Treinadores da época, como o ex-coordenador das categorias de base tricolores, notavam seu potencial para o profissionalismo. “Lucas era daqueles garotos quietos no vestiário, mas ferozes no campo”, recorda um ex-companheiro de equipe em entrevista recente ao site oficial do São Paulo. Em 2017, porém, veio o primeiro teste de fogo: um empréstimo ao Guarani, ainda vinculado ao Tricolor. Foi no Brinco de Ouro que Kal provou seu valor, ajudando o Bugre a conquistar o título da Série A2 do Campeonato Paulista e o acesso à elite estadual. Aquela campanha, com atuações sólidas no meio-campo, marcou sua transição para o mundo adulto do futebol.

Ascensão e Desafios no São Paulo: A Luta por Espaço

O retorno ao São Paulo, em dezembro de 2017, parecia o início de uma era dourada. Em julho de 2018, Kal fez sua estreia na Série A, entrando no segundo tempo de uma vitória por 2 a 0 sobre o Cruzeiro, no Mineirão. A torcida tricolor, conhecida por sua exigência, viu nele um futuro pilar da equipe. Mas o futebol, como a vida, não segue roteiros lineares. Com a concorrência acirrada – nomes como Jucilei e Hudson dominavam o setor – Kal alternou entre o time principal e o B, participando da Copa Paulista.

Em 2019, renovou contrato até 2022, sinal de confiança da diretoria. No entanto, as oportunidades escassas o levaram a novos empréstimos. Setembro daquele ano o viu no América-MG, na Série B, onde contribuiu para uma campanha de consolidação na elite. Sua versatilidade, jogando tanto como volante quanto zagueiro, chamou atenção. Em 2020, veio a grande virada: um empréstimo ao C.D. Nacional, de Portugal, pela Primeira Liga. A Ilha da Madeira, com seu clima ameno e futebol europeu mais tático, testou sua adaptação. Kal disputou jogos na Taça da Liga e no campeonato português, acumulando minutos preciosos e aprendendo a lidar com ritmos diferentes. “Foi uma escola fora do Brasil, onde aprendi a pensar o jogo três passos à frente”, comentou ele em uma live no Instagram, anos depois.

De volta ao Brasil em 2021, o ciclo de empréstimos continuou. Passagens por clubes como o Al-Riyadh, da Arábia Saudita, em 2023 e 2024, trouxeram estabilidade financeira e experiência internacional. Lá, na liga asiática, ele atuou em 30 partidas na temporada 2024-25, marcando três gols e dando duas assistências – números modestos, mas valiosos para um defensor. Sua altura e força física se adequaram ao estilo mais físico do futebol saudita, onde ele se tornou peça chave na proteção da zaga. No entanto, a saudade do Brasil e o desejo de brilhar na elite nacional o trouxeram de volta.

A Chegada ao Sport Recife: Um Novo Capítulo no Nordeste

Em agosto de 2025, Lucas Kal assinou com o Sport Club do Recife, um dos gigantes do Nordeste, em um contrato até dezembro de 2026. A transferência gratuita do Al-Riyadh foi vista como um reforço estratégico para o Leão da Ilha, que buscava solidez no meio-campo para a Série A. Sob o comando do técnico Mariano Soso, Kal chegou com 29 anos, maduro e pronto para liderar. Sua estreia, em setembro, contra o Flamengo, mostrou o que o torcedor rubro-negro esperava: 90 minutos de garra, com cinco desarmes e uma interceptação crucial que evitou um gol certo.

O Sport, que lutava para se manter na elite após anos de instabilidade, encontrou em Kal um capitão de campo. Sua capacidade de quebrar jogadas adversárias e iniciar contra-ataques com passes longos se encaixou perfeitamente no esquema 4-2-3-1 adotado pela equipe. Em entrevistas coletivas, o jogador sempre enfatiza o coletivo: “Aqui no Recife, sinto o calor da torcida como em Campinas. É isso que me motiva a dar o máximo”. Sua adaptação ao Arruda foi rápida, e ele logo se tornou titular absoluto, disputando 12 jogos até novembro, com uma média de 7,2 em avaliações de desempenho no FotMob.

Estilo de Jogo: Força, Visão e Versatilidade

O que define Lucas Kal no campo? Não são os dribles acrobáticos ou os chutes de fora da área, mas uma presença serena e imponente. Como volante defensivo, ele é mestre na cobertura de espaços, usando sua envergadura para disputar bolas aéreas – 65% de sucesso em duelos pelo ar, segundo dados do Transfermarkt. Sua transição para zagueiro, quando necessário, revela uma leitura de jogo acima da média, herdada dos anos na base do São Paulo.

Kal não é de holofotes; prefere o trabalho sujo que permite aos atacantes brilharem. Em Portugal, aprendeu a antecipar movimentos; na Arábia, a impor respeito físico. Críticos apontam que ele poderia arriscar mais no passe final, mas seus defensores – e há muitos – destacam a consistência. “Ele é o tipo de jogador que vence jogos sem aparecer no placar”, diz o jornalista esportivo pernambucano Juca Kfouri em coluna recente. Com 79 kg bem distribuídos, Kal alia robustez a agilidade, tornando-o ideal para o futebol brasileiro moderno, cheio de transições rápidas.

Fora de campo, sua personalidade reservada contrasta com a intensidade em campo. Casado e pai de dois filhos, ele dedica tempo a projetos sociais em Campinas, como escolinhas de futebol para crianças carentes. Sua cidadania italiana, aliás, abre portas para uma possível carreira na Europa no futuro, mas por ora, o foco é o Brasil.

Atualizações Recentes: O Gol Contra que Revela Desafios

O futebol não perdoa erros, e o último jogo de Lucas Kal ilustra isso de forma crua. Na noite de 28 de novembro de 2025, pela 36ª rodada do Brasileirão, o Sport enfrentou o Santos na Vila Belmiro. Em uma partida tensa, com o Leão lutando contra o rebaixamento, Kal viu seu nome ligado a um momento amargo: aos 36 minutos, um desvio infeliz em um cruzamento de João Schmidt resultou em gol contra, o segundo do Peixe na vitória por 3 a 0. Os outros tentos foram de Neymar, em retorno heroico, e do próprio Schmidt.

A torcida sportiva, fervorosa como sempre, dividiu opiniões nas redes. Alguns culparam a zaga inteira; outros, como o perfil @tiagorecife8708 no X (antigo Twitter), criticaram a gestão por contratações como a de Kal, chamando-as de “ruindade braba”. Mas o volante, em nota oficial no site do clube, absorveu a responsabilidade: “Erros fazem parte. Amanhã é outro dia, e vou treinar o dobro para compensar”. O resultado deixou o Sport na 17ª posição, a um ponto da salvação, com duas rodadas restantes. Kal, expulso de um cartão amarelo no segundo tempo, cumpre suspensão na próxima, mas sua liderança deve retornar em grande estilo.

Apesar do tropeço, estatísticas da temporada mostram evolução: em 15 jogos pelo Sport, ele registra dois gols (um de cabeça contra o Bahia) e uma assistência, além de uma taxa de 82% de passes certos. Analistas como os do BeSoccer preveem que, se o time se mantiver, Kal pode atrair olhares de clubes maiores em 2026.

Legado em Construção: O Futuro de um Guerreiro

Lucas Kal não é o protagonista de capas de revista, mas é o tipo de jogador que sustenta times inteiros. Sua jornada de Campinas ao Recife, passando por Portugal e Arábia, é um testemunho de resiliência. No Sport, ele encontrou um lar onde sua experiência pode ser o diferencial na briga contra a degola. Com o Brasileirão chegando ao fim, torcedores rubro-negros sonham com uma virada épica, e Kal, com sua calma nórdica em meio ao caos, pode ser a chave.

Enquanto isso, o mundo do futebol observa. Aos 29, ele tem fôlego para mais uma década. Quem sabe o que o espera: um título estadual pelo Leão? Um retorno à Seleção Brasileira sub-23, adiada pela pandemia? Ou uma aventura na Série A europeia? Uma coisa é certa: Lucas Kal continua chutando forte, provando que no Brasil, o talento se constrói com suor, não com flashes.

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